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domenica, marzo 30, 2014

Para reconhecer melhor as mentiras

Se você ainda acredita que alguém tentando enganar outra pessoa irá suar frio e evitar o olhar do interlocutor, surpreenda-se: tais estereótipos raramente são verdadeiros.
                                                                                             (por Marc-André Reinhard)

Como podemos perceber se estamos sendo enganados? Será que existem sinais claros indicando uma mentira, algo que possa ser comparado à metáfora do nariz do Pinóquio. que se tornava cada vez maior quando ele ocultava a verdade?
Infelizmente não.

Durante muito tempo as pessoas acreditaram que poderiam identificar um mentiroso por comportamentos ou sinais corporais tais como coçar a cabeça com frequência, movimentar-se de forma agitada ou ficar com as faces coradas.

No entanto, um grupo de pesquisadores coordenado pela psicóloga Bella DePaulo, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara (USA), garante que normalmente não é isso o que acontece. Em 2003, DePaulo já havia reunido e analisado resultados de 120 estudos sobre o comportamento físico que acompanha as mentiras.

Conclusão: os estereótipos raramente são verdadeiros. Em geral, mentirosos não escorregam nervosos na cadeira, nem evitam o contato visual de seu interlocutor.

A essa conclusão chegaram Bella DePaulo e seu colega Charles F. Bond, após realizarem um estudo sobre o comportamento desses estereótipos tradicionais.

Tomando por base esses estudos levantados por DePaulo e Bond, outros pesquisadores chegaram à conclusão de que sinais acústicos ajudam a reconhecer as mentiras melhor do que sinais visuais: nos experimentos, os participantes podiam diferenciar de forma mais nítida as mentiras quando ouviam a declaração duvidosa com atenção, em vez de observar o falante, à procura de sinais reveladores.

Se os participantes assistiam a um vídeo sem som, a cota de acertos eram de apenas 52%, obtidos também por adivinhação. Mas se durante a exibição das imagens eram apresentadas as vozes correspondentes, a cota de acerto de seus julgamentos aumentava para 67%, nada assombroso além da alteração estatística.

O que de fato surpreendeu os pesquisadores foi um resultado sem grande perda quando somente o som foi apresentado sem imagem. Ou seja: quem se concentra apenas no comportamento físico de uma pessoa, reduz a chance de desmascarar um mentiroso. Aparentemente, nossa visão se deixa enganar mais facilmente do que nossa audição e pouco contribue para descobrir afirmações falsas.

Portanto, vale a pena prestar atenção principalmente na fala da pessoa, ficando alerta, por exemplo, para possíveis contradições. Especialistas afirmam que os mentirosos contumazes são, em geral, pouco plausíveis e lógicos. Além disso, raramente admitem que tenham de corrigir sua descrição ou que não consigam se lembrar de algo: para “encobrir os brancos da memória” eles simplesmente inventam informações.

Se a pessoa aparenta nervosismo e fala em tom mais alto do que o de costume, então devemos ter cuidado: ela tem grandes possibilidades de estar mentindo. Os estudos avaliados por Bella e Bond também revelaram que vários participantes conseguiram reconhecer as declarações falsas de forma mais clara quando o mentiroso foi pego de surpresa e não teve tempo de planejar o que diria.

Desse modo, cobrar explicações imediatas pode desmascarar um discípulo em potencial do famoso Barão de Münchausen.

Na opinião do psicólogo Aldert Vrij, pesquisador da Universidade Britânica de Portsmouth (UK), uma boa estratégia é fazer a pessoa da qual desconfiamos que esteja mentindo falar o máximo possível. Nesse momento ela precisa pensar rapidamente e corre o risco de contradizer-se. E quanto mais ela falar, mais difícil será para ela controlar tanto o conteúdo do que diz quanto o próprio comportamento.

Pedir para que repita trechos do que foi dito também costuma ser eficaz para detectar brechas nos discursos. “Essa técnica de interrogatório, muito conhecida de romances e filmes policiais revela-se, de fato, sensata”, observa Vrij.

Um atributo a mais para esse tema surge das análises do psicólogo Mike Aamodt da Universidade Radford, na Virgínia (USA), indicando que não há muita diferença entre homens e mulheres e a idade e/ou grau de instrução de uma pessoa pouco influenciam na capacidade de detectar mentiras.

                            VANTAGEM DA INSEGURANÇA CONTRA A MENTIRA

Estudos do psicólogo Patrick Müller, da Universidade de Utrecht (Holanda), apresentam outra hipótese elaborada com base em pesquisas de 2008, revelando que a insegurança emocional torna as pessoas mais atentas e a prestarem mais atenção ao conteúdo das afirmações, contribuindo para diferenciar mentiras e verdades.

Com a aplicação de um questionário, registrou-se o grau de insegurança emocional de 600 voluntários e, posteriormente, cada um assistiu a um vídeo com 32 relatos de pessoas que descreviam como tinha sido para elas enfrentar a prova para obtenção da carteira de habilitação para motorista.

Mas havia um porém: apenas a metade dos relatos era verdadeira, pois as pessoas da outra metade dos relatos ainda não tinham carteira de habilitação nem vivido a experiência de passar pela prova.

Este resultado vem reforçar que quanto mais inseguros emocionalmente, tais participantes tinham melhor capacidade para reconhecerem os falsos relatos.

Para demonstrar que a insegurança era mesmo o motivo dessa capacidade, e não apenas um efeito colateral, foi realizado um segundo experimento, no qual elevou-se a insegurança artificialmente. Para isso, alguns participantes da pesquisa respondiam a duas questões: “Você é acometido de que emoções quando assiste televisão? Como você se sente fisica e mentalmente quando assiste ao noticiário da televisão?”.

O resultado desse experimento comprovava: após responderem a essas duas perguntas que evocavam emoções diversas, tais participantes se sentiam, em geral, mais inseguros que os membros do grupo de controle não participantes da primeira parte da pesquisa de assistir à televisão.

Após tal resultado, todos os participantes assistiram a dois vídeos, nas quais as pessoas falavam sobre filmes que apreciavam muito ou que não gostaram nem um pouco. Os participantes mais inseguros diferenciaram melhor os relatos verdadeiros e falsos: eles classificaram corretamente, em média, 68% dos depoimentos. Os integrantes do grupo de controle, mais confiantes e menos inseguros, tiveram uma cota de acerto de apenas 52%,  mais uma vez idêntica à esperada ao acaso.

Portanto, convém evitar o excesso de confiança na "detecção" para desmascarar um mentiroso, pois quem acredita já conhecer uma resposta procura apenas por indícios que a comprovem, independentemente de ser verdadeira ou falsa.

E se tiver que admitir que foi enganado por alguém, não fique muito chateado. Talvez seja um consolo saber que outras pessoas também passam por isso, como mostrou outro estudo publicado pelos psicólogos DePaulo e Bond em 2008.

Segundo eles, os indivíduos pouco se diferenciam em sua habilidade de reconhecer invencionices, pois a maioria de nós é um verdadeiro fracasso como detector de mentira. Entretanto, a amplitude da capacidade individual de contar inverdades é maior, de forma inversamente proporcional.

O espectro vai do perfeito enganador até o Pinóquio humano, no qual se percebe uma mentira mesmo a 10 metros de distância. Conclusão: para desmascarar alguém, dependemos menos de nossa própria capacidade de "detecção" e quase exclusivamente da habilidade do outro de esconder a verdade.

As incríveis histórias do Barão de Münchausen

Os relatos das aventuras do militar e proprietário de terras Karl Friedrich Hieronymus von Münchausen (1720-1797), serviram de base para a série As Aventuras do Barão de Münchausen, histórias fantásticas e exageradas, voltadas para o público infanto-juvenil, compiladas por Rudolph Erich Raspe e publicadas em Londres em 1785.

Nascido em Bodenwerder, Alemanha, o futuro barão foi pajem de Anthony Ulrich II, Duque de Brunswick-Lüneburg, e mais tarde entrou para o exército russo. Serviu até 1750, participando de duas campanhas contra os turcos e ao retornar para casa, começou a espalhar várias histórias sobre suas aventuras.

Os feitos incríveis incluíam viagens em bolas de canhão, jornadas para a Lua e a fuga de um pântano ao puxar a si mesmo pelos próprios cabelos (ou pelo cadarço das botas, dependendo da versão). Suas peripécias, que confundem mito e realidade, inspiraram inúmeros autores e preencheram o imaginário de gerações ao longo de mais de dois séculos.